Algibe do Campus PDF Imprimir E-mail

Algibe do século XIX

No século XIX o abastecimento de água nas cidades do Rio Grande do Sul era feito através de fontes, chafarizes, carregadores de água e aguadeiros. Um hábito usual para as famílias mais abastadas era a existência de algibes domésticos, privados, empregados para o consumo de água nas residências. Em alguns casos, o algibe funcionava junto a uma cisterna, que captava água da chuva e a conduzia a um reservatório enterrado. Em outros, a captação era subterrânea, a partir do lençol freático.

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Algibe no local atual

Instalado no campus Alegrete da Unipampa

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O algibe realocado no jardim do campus Alegrete da UNIPAMPA é uma peça original, construída próximo à metade do século XIX, feita com pedras comuns da região e estrutura metálica provavelmente importada da Europa. Supria a necessidade do abastecimento de água para moradia. A estrutura de ferro para elevar a água também cumpria função estética arquitetônica, qualificando a residência.

Estava localizado no pátio interno da residência localizada na Rua General Vitorino, 243, no centro de Alegrete-RS., onde era utilizado para armazenar água para o consumo da moradia em época anterior à existência de serviço de água encanada. Provavelmente foi utilizado intensamente até a década de 1920, quando a distribuição de água canalizada na rede urbana começou a ser instalada em Alegrete.

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No local original

Foto do algibe no seu local original de construção

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A residência foi construída por volta de 1840 pelo Dr. Francisco de Sá Brito, que era filho de um comerciante português de mesmo nome. Ele frequentou as escolas de Antônio D’Ávila, do padre Tomé Luís de Sousa e do padre João de Santa Bárbara. Em 1827 foi a Portugal, onde se matriculou no curso de direito da Universidade de Coimbra. Transferiu-se para a Faculdade de Direito de São Paulo, onde concluiu o curso em 1832.

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Fachada da Residência

Fachada da residência onde originalmente estava localizado o algibe (foto Google Street View).

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De volta ao Rio Grande do Sul, tornou-se juiz em Alegrete, depois em Porto Alegre. Foi deputado provincial na 1ª Legislatura da Assembleia Legislativa Provincial do Rio Grande do Sul.

Fundou, ao lado de José Calvet, o jornal Continentista em Porto Alegre. Teve participação moderada na Revolução Farroupilha, onde defendeu a deposição de Antônio Rodrigues Fernandes Braga e sua substituição por José de Araújo Ribeiro. Abandonou o movimento junto com Bento Manuel Ribeiro, voltando de novo, com este, a apoiar a causa farroupilha. Em Alegrete teve posição destacada na República Rio-grandense, sendo um dos autores de sua constituição e Ministro da Justiça.

Escreveu poemas e romances, tendo publicado diversas vezes na revista da Sociedade Pártenon Literário, como F. Sá Brito ou S. Brito. Foi autor de Memória da Guerra dos Farrapos, importante fonte de referência sobre o período.

Foi também vereador em Alegrete, de 1845 a 1849.

Após sua morte, a residência ficou como herança para a família, pertencendo na sequência a Maria José de Sá Dornelles, Paulino de Sá Dornelles, Homero Medeiros Dornelles e, finalmente, a Ana Maria Leães Dornelles. Da década de 1970 até por volta de 2008 a casa foi alugada para uma fábrica de calçados. Em 2014 a residência foi vendida para o empresário Dionei Martini, que em seu lugar construiu um prédio comercial.

O algibe foi então doado ao campus Alegrete da UNIPAMPA, de forma a preservar o patrimônio histórico e para contar um pouco sobre os hábitos do século XIX e do início do século XX.

Estudo histórico:
Homero Dornelles
Alessandro Girardi
Carlos Aurélio Dilli Gonçalves

Referências:
Wikipedia. Francisco de Sá Brito. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_de_S%C3%A1_Brito

Silveira, A. M. "De fontes e aguadeiros à penas d’água: reflexões sobre o sistema de abastecimento de água e as transformações da arquitetura residencial do final do século XIX em Pelotas - RS", Tese de Doutorado, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, USP, 2009.

Última atualização ( Qua, 08 de Março de 2017 11:47 )
 



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